Pequenas e médias empresas seriam reprovadas se gestão valesse nota
Se gestão empresarial fosse uma prova com notas de 0 a 10, boa parte das PMEs brasileiras seriam reprovadas, segundo análise da Jiva.

São Paulo – Se gestão empresarial fosse uma prova com notas de 0 a 10, seria grande a chance de boa parte das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras serem reprovadas, enquanto mesmo aquelas consideradas ‘na média’ correriam o risco de ficar para trás. A análise foi feita pela Jiva, especialista em softwares voltados para o segmento. Tal diagnóstico foi alcançado após a empresa amealhar, ao longo dos últimos cinco anos, uma série de práticas corporativas em mais de 5 mil PMEs, das quais 2,5 mil são atuais clientes.
A compilação dos dados permitiu a criação do Índice Maha Gestão. “Criamos um algoritmo que funciona como um índice de boas práticas – como se fosse uma escala Richter da boa gestão”, exemplifica o fundador e diretor-presidente da Jiva, Fábio Túlio. Segundo ele, a nota média das pequenas brasileiras não é muito animadora: em uma escala com notas que vão até 100, a maturidade das nossas PMEs ficaria em 58 – ou uma nota vermelha. A perspectiva é preocupante se consideramos que atualmente existem 16,059 milhões de PMEs no País – ou 93,7% das empresas ativas, de acordo com dados do Empresômetro mantido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Deste total, 66,8 mil fecharam as portas apenas em 2017; em 2016, 346,9 mil passaram pela mesma situação dramática. “Apesar da crise ser igual para todos, as PMEs sofreram muito mais”, explica Túlio. “Elas têm menor musculatura, menos recursos, equipes mais simples e na maior parte das vezes sem especialistas”.
Se o cenário adverso joga contra, explica o especialista, as vezes uma ‘mãozinha’ pode fazer a diferença. O mercado de empresas que oferecem softwares de ERP [ou enterprise resource planning] para pequenas e médias tem crescido muito nos últimos anos, mas a Jiva acredita no índice Maha como trunfo. Segundo Túlio, se a média brasileira ronda os 58, no caso daquelas que se tornam clientes da companhia mineira (que atua desde 2006), a pontuação sobe para 70. “A questão é que mesmo quem estiver com essa nota não pode ficar satisfeito, dependendo do setor”, avalia o executivo.
Notas baixas
Mesmo em casos onde o gestor adquire experiência na prática, uma hora ou outra a sucessão vai se tornar um ‘pepino’. “Muitas vezes o pai é muito bom naquilo, mas não necessariamente as futuras gerações estarão preparadas”, afirma. Tão comum quanto é a incidência de empresas que misturam as contas da empresa com a pessoal. “30% delas ainda fazem isso”. Já outras se destacam em um lado, mas deixam a desejar no outro. “Às vezes vemos empresas com uma nota 65, mas com a área de vendas nível 30. Por isso é importante ter alguém que aponte os pontos fracos”, avalia Túlio.
Também merecem atenção aqueles empresários que não sabem tirar proveito das tecnologias existentes dentro de casa. “Constatamos muitos casos de softwares bons, mas subutilizados, mesmo em casos onde houve treinamento. Não adianta ter o software mas não internalizar as práticas”, afirma Fábio Túlio. O especialista tenta resolver essa de problema com um time de consultores de campo da Jiva e afiliadas, que auxiliam clientes através do modelo de franquias. Além disso, a empresa também possui a Universidade Corporativa Jiva, que oferece certificações em gestão via ensino à distância (EaD). Neste ano, a iniciativa bateu a marca de 14 mil alunos.